Prova com 31 inscritos durou dois dias: carro mais antigo era de 1929.
Pai da atriz Carolina Dieckmann competiu ao volante de um Jaguar 1950.
Rali teve 31 carros com modelos de 1929 a 1975 (Foto: Paula Kossatz/Divulgação)
Um veterano de 57 anos foi o grande vencedor do Rali de Carros Antigos, que aconteceu neste fim de semana em Teresópolis, na Região Serrana do Rio. Não é do engenheiro gaúcho Rogério Franz, de 42 anos, que foi o primeiro colocado na prova, de quem estamos falando, mas do Hudson de 1951, que ele pilotava.
A prova media a regularidade e a resistência das máquinas mais, digamos, experientes. Em dois dias, eles tiveram que percorrer 460 quilômetros entre estradas de asfalto perfeito e de buracos constantes. Tudo bem que o Hudson de Franz já tinha provado que agüentava o tranco. Ele já havia percorrido os 1,6 mil quilômetros que separam Porto Alegre, de onde partiu, e Teresópolis, o local da largada.
Segundo Franz, o coupé foi adquirido em Curitiba no início deste ano por R$ 73 mil. No primeiro dia, o roteiro de 200 quilômetros saía de Teresópolis, seguia pela BR-116 (Rio-Juiz de Fora), até o município de Sumidouro, de lá até Nova Friburgo e depois retornava a Teresópolis.
No segundo dia, a tarefa era percorrer 260 quilômetros em estradas que alternam o conforto de um asfalto impecável até buracos de trechos de terra. A largada foi dada também de Teresópolis, descia a serra Teresópolis-Itaipava e seguia até Rio das Flores, de onde voltava a Teresópolis.
Mulheres ao volante
O segundo lugar ficou para uma dupla feminina, que pilotava um Porsche 912, de 1968. A arquiteta Marina de Alencar, que já tinha participado com o marido de um rali no Peru, resolveu assumir o volante ao lado da sogra, a navegadora Ana Pontes Amaral.
Dos 31 participantes, apenas três duplas eram formadas por mulheres. A competição, de regularidade, teve média de 80 km/h.
Jaguar e barquet
Se os últimos serão os primeiros, um idoso que arrancava suspiros por onde passava: um Ford vermelho de 1929 chegou em último lugar, mas era um dos mais charmosos.
O carro foi transformado pelo dono em barcquet (só banco, motor e estepe), depois que herdou do pai a carcaça do veículo. Aos 79 anos, ele chegou em último lugar, depois de ter passado maus momentos quando o suporte do estepe sucumbiu ao asfalto.
A bordo de um Jaguar XK 120 verde de 1950, Roberto Dieckmann foi o primeiro a dar a largada, mas quase desistiu da prova depois que uma peça travou o freio da máquina. A persistência rendeu ao pai da atriz Carolina Dieckmann uma menção honrosa no fim da competição.
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