'O jipe foi o ícone da 2ª Guerra', diz baterista dos Paralamas
João Barone é presidente do clube de colecionadores de veículos militares do Rio.
O pai dele lutou pelo Exército do Brasil na Itália.
Os jipes de guerra são uma das grandes paixões de João Barone, o baterista da banda de rock Paralamas do Sucesso. Filho de um ex-combatente da Força Expedicionária Brasileira (FEB) na Itália, Barone nunca ouviu do pai as histórias de combate na Segunda Guerra Mundial – depois de quase ser atingido por bombas lançadas pelos alemães, o pai do baterista voltou ao Brasil e procurou esquecer o que viu nos campos de batalha. Barone sempre foi da paz, mas nutriu esta paixão pelos veículos militares.
Hoje, entre um ensaio e um show dos Paralamas, Barone dedica seu tempo livre aos seus carros de guerra. Ele tem um Willys MB de 1944 e um Ford GP de 1941. Ele é também presidente do Clube dos Veículos Militares Antigos do Rio de Janeiro (CVMARJ). Em entrevista ao G1, Barone falou sobre sua paixão pelos jipes de guerra.
G1 – Por que os jipes da Segunda Guerra causam tanto fascínio?
João Barone - O jipe virou um ícone da guerra, conhecido como um verdadeiro guerreiro, capaz de transportar soldados, feridos, comida e armamento nas mais difíceis condições de tempo e de terreno.
G1 – E o que te fez virar um entusiasta dos veículos militares?
João Barone – Sempre gostei do assunto. Meu pai lutou na Segunda Guerra pela Força Expedicionária Brasileira. Ele foi para a guerra resolver um problema que não era dele. Dirigiu jipes no norte da Itália em um tempo em que era difícil encontrar um combatente que soubesse dirigir ou mesmo falar inglês. Depois da guerra, ele nunca nos incentivou, eu e meus irmãos, a lidar com o assunto. Acho que isso só fez o efeito reverso para aguçar meu interesse. Sempre que posso me dedico a esse assunto. Posso dizer que, nas horas vagas, eu toco bateria (risos).
G1 – Como você vê o crescimento do número de colecionadores de veículos militares antigos?
João Barone – Isso é muito legal. Conseguimos fazer, com o pouco tempo disponível que temos, alguns eventos importantes, como o Encontro Brasileiro de Veículos Militares Antigos, em Curitiba (que começa nesta quinta-feira, dia 8, e vai até o sábado no Parque Barigüi). Ainda somos um grupo pequenos se compararmos, por exemplo, com os clubes de colecionadores de Fusca, mas sempre que nos reunimos percebemos como esta paixão pelos veículos militares tem um apelo sensacional. As pessoas querem saber mais sobre um jipe da Segunda Guerra do que sobre um super Thunderbird (risos).
G1 - Como é o trabalho de restauração de um jipe de guerra?
João Barone – É um veículo fácil de ter e não é muito caro. Hoje um jipe da Segunda Guerra pode ser comprado por R$ 40 mil. Sai mais barato restaurar um jipe de guerra do que um carro civil. O acabamento é mais simples e a mão de obra mais barata. O mais importante é fazer uma restauração fiel ao modelo original da guerra. Algumas peças precisam ser importadas. Vale lembrar que o Exército Brasileiro trouxe de volta muitos jipes usados na Segunda Guerra. Além disso, o país recebeu muito excedente de produção dos Estados Unidos no pós-guerra.
G1 – Como você cuida dos seus carros?
João Barone – Eu tenho um Willys MB de 1944 e um carro raro, o Ford GP, de 1940, um dos primeiros modelos de jipe produzidos pela Ford, que comprei nos Estados Unidos e trouxe para o Brasil. Também tenho um Fusca 51 e um caminhão Dodge WC 53 que parece uma ambulância. Reúno os carros em um sítio meu no interior do estado do Rio e, sempre que posso, dou uma volta com eles. Não ando tanto quanto gostaria. É importante sempre estar rodando com o carro.
G1 – Você refez o caminho do Dia D, do histórico desembarque dos aliados na Normandia, em 6 de junho 1944. Como foi esta experiência?
João Barone – Estive lá em 2004 para fazer um documentário sobre os 60 anos do Dia D em DVD. Foi muito legal passar por lá. Agora quero fazer um novo filme sobre o Brasil na Segunda Guerra. Seria uma espécie de road movie para mostrar os lugares históricos por onde o Brasil lutou na Itália. São lugares que até hoje preservam a memória da passagem dos soldados brasileiros por lá.
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